Notícias publicadas na Internet relacionadas a lesão medular 

(15/06/2001)

Há alguns poucos anos a possibilidade de reverter uma lesão medular estava décadas de distância, uma possibilidade quase impossível. Depois começaram a aparecer aqui e ali, pesquisas que obtiveram sucesso em reverter paralisia em animais. Agora muitas das técnicas testadas em animais começam a ser testadas em humanos.

Em Israel novos pacientes estão sendo tratados experimentalmente pela técnica chamada "Ativação de Macrófagos". E a ,jovem americana Melissa Hollney, que primeiro se submeteu a esse tipo de tratamento, continua apresentando progressos. Quanto aos demais pacientes que se submeteram ao tratamento, há poucas informações.

Nos EUA novos pacientes estão sendo convocados para se submeter a tratamentos experimentais, como por exemplo a que se utiliza de células nervosas geneticamente modificadas de suínos.

Na Rússia médicos estão tratando pessoas utilizando-se dos conhecimentos adquiridos nas pesquisas ao longo dos últimos anos, tais como transplante de células nervosas embrionárias, células tronco entre outras tecnologias. Até o momento não há informações que comprovem os resultados que estes médicos vêem obtendo.

Em Taiwan o Dr. Cheng deverá divulgar em breve os resultados obtidos através de sua técnica em diversos pacientes. E promete apresentar bons resultados. A primeira-dama de Taiwan, que possui lesão medular, foi convidada a se submeter ao tratamento do D. Cheng.


(26/02/2001)

Abaixo uma lista de pesquisas em andamento, nas mais diversas partes do mundo, visando a cura das lesões medulares, assim como seu status no que diz respeito ao início dos testes em humanos destas mesmas técnicas.

01. Kharkov (embryonic cerebral nerve tissue) - EM ANDAMENTO
02. Acorda (4-aminopyridine) - EM ANDAMENTO
03. Novosibirsk (embryonic stem cells) - EM ANDAMENTO
04. Kupavna (neural stem cells, embryonic stem cells) - EM ANDAMENTO
05. Bologna, Brunelli (peripheral nerve grafts) - EM ANDAMENTO
06. Proneuron (activated macrophages) - EM ANDAMENTO
07. VGH Taiwan, Cheng (no peripheral nerve grafts) - EM ANDAMENTO
08. Purdue, Indiana (AC currents for regeneration) - EM ANDAMENTO
09. Diacrin (porcine neural stem cells) - INÍCIO EM BREVE
10. UAB (Neurogel, stem cells, FGF1) - INÍCIO EM BREVE
11. Alexion (porcine olfactory ensheathing glia) - INÍCIO EM BREVE
12. Estonia (embryonic stem cells, growth factors) - INÍCIO EM BREVE
13. Yale (Schwann cells) - INÍCIO EM BREVE
14. Novartis (IN-1 antibody therapy) - início em 2001
15. BLSI (Inosine and AF-1) - início em 2001
16. Acorda (M1 antibody) - início em 2001
17. Layton Bioscience (human neural stem cells) - início em 2001
18. Neotherapeutics (AIT-082) - início em 2001
19. Dr. Hans Keirstead (demyelination treatment) - início em 2002
20. Reeve-Irvine Research Center - início em 2002
21. UCSD, Tuszynski (genetically modified cells to produce NT-3)
22. Acorda (cellular adhesion molecule L1) - início em 2002


Quando a proteína Nogo, principal inibidora da regeneração dos neurônios no SNC, foi descoberta, casou entusiasmo no meio científico tendo em vista a possibilidade de tratamentos mais eficazes visando a regeneração dos neurônios.

Agora mais um importante avanço foi dado com a descoberta do receptor, existente no SNC, da proteína Nogo. Como disse um cientistas, eles tinham a chave (Nogo), mas agora possuem também o cadeado (receptor).

Essa descoberta, afirmam os cientistas, irá facilitar bastante o desenvolvimento de medicações para diversas doenças do sistema nervoso central.


 

Droga ajuda portadores de lesão medular.

TORONTO (Reuters) - 28 de Setembro de 1998 - Resultados encorajadores têm sido observados em pacientes com lesão medular crônica após 3 meses de uso experimental da droga 4-aminopyridine.

Segundo reportou o D. Jack Segal, médico do Veteran's Affairs Medical Center, Long Beach, California, os pacientes ganharam em média 1 a 1,5 nos níveis de suas funções neurológicas após 3 meses de tratamento com doses de 30mg/ dia de 4-aminopyridine.

Após uma lesão medular muitos nervos no local da lesão perdem suas bainhas de mielina, o que interfere na condução do impulso nervoso nestas áreas lesionadas. A droga 4-aminopyridine é capaz de ajudar os impulsos nervosos a atravessarem essa região desmilienizada e recuperar algumas funções.

O estudo envolveu 21 pacientes, todos com lesão medular há 2 ou mais anos. Desses, 14 eram tetraplégicos e 7 paraplégicos. Dezesseis pacientes receberam doses de 30mg/dia de 4-aminopyridine e o restante 6mg/dia. Três meses depois, o grupo que recebeu dosagem de 30mg/dia apresentou melhoras tanto nas funções motoras quanto na sensibilidade.

As melhoras não foram apenas estatísticas, mas trouxeram mudanças significativas nas atividades diárias dos pacientes. Alguns pacientes tornaram-se capazes de efetuar a transferência cadeira-cama por conta própria, outros tiveram melhoras na função sexual e outros recuperaram as funções intestinais e da bexiga, reportou o Dr. Segal.

Ocorreram melhoras significativas também na espasticidade e aumento do tônus muscular, problemas comuns em pacientes com lesão medular. A droga 4-aminopyridine incrementou entre 30% e 40% as funções pulmonares. E considerando que as infecções pulmonares são comuns e também causa frequente de morte em pacientes com lesão medular, a habilidade do 4-aminopyridine em fortalecer tanto os músculos respiratórios como diafragma e também a capacidade de expectorar, tossir e eliminar secreções, pode levar a redução da incidência de infecções pulmonares nesse grupo.

Dr. Segal avisou que 4-aminopyridine é contra-indicado em pacientes com lesão medular aguda devido ao risco de ocorrerem problemas na região afetada da medula.. Entretanto, ele disse que a droga pode ser considerada para pacientes com lesões há um ano ou mais. A droga é bem tolerada e não foram obervados efeitos colaterais sérios durante os 3 meses de experimento.

Dr. Segal também também destacou que o tratamento de longa duração com 4-aminopyridine, em que muitos pacientes do estudo inicial permanecem, talvez continue a melhorar as funções motoras e sensitivas. É o que suas observações têm sugerido.

 


 

Células nervosas do nariz podem auxiliar a regeneração da medula.

Pesquisadores da Universidade de Miami descobiram que as células do nervo olfatório do nariz, cuja função é transmitir os odores para o cérebro, podem ajudar na recuperação de lesões medulas.

Estas descobertas do Miami Project to Cure Paralysis (Universidade de Miami), publicadas em maio no Journal of Neuroscience, é uma nova alternativa ao esforço mundial para desenvolver um método para reverter a lesão medular.

A paralisia é irreversível porque as células nervosas no cérebro e medula não se regeneram naturalmente. As fibras nervosas saudáveis atuam como fios elétricos carreando menssagens do cérebro para o restante do corpo e vice-versa. Uma lesão medular pode interromper esse circuito e os cientista até o momento são incapazes de estimular as fibras nervosas a reconectarem-se e restaurar a transmissão dos impulsos nervosos.

Uma das mais promissoras técnicas envolve o transplante de células capazes de se regenerar, como aquelas oriundas do sistema nervoso periférico(presente nos músculos, braços e pernas).

Os pesquisadores têm obtido sucesso na regeneração de fibras nervosas através do implante de nervos periféricos. Entretanto, proteínas existentes na medula atuam impedindo a regeneração e o crescimento das fibras nervosas e sua conexão com as células além do local da lesão.

Em pesquisas com ratos de laboratório, Mary Bartlett Bunge e colegas do Miami Project descobriram que células nervosas olfatórias são capazes de crescer sob a presnça de proteínas que normalmente bloqueiam o crescimento de nervos. As células olfatórias avançam na medula e as fibras nevosas crescem com elas. Os pesquisadores descobiram que fibras nervosa cresceram duas polegadas na medula de ratos.

Segundo o D. Wise Young, um dos mas conceituados neurocientistas americanos, essa descoberta é muito interessante pois as células utilizadas nessa pesquisa podem ser encontradas em qualquer cavidade nasal. Afirmou também estar otimista que essa e outras técnicas, associadas ou não, poderão ser utilizadas em experimentos clínicos com humanos em 1999. Os avanços recentes tiveram grande impulso quando em 1990 o Dr. Schwab descobriu que o anticorpo IN-1, utilizado para neutralizar proteínas que impedem a regeneração nervosa, era capaz de promover a regeneração da medula. Desde então, a cada ano o número anual de grandes avanços científicos nessa área aumenta. Até 1995 ocorria um grande avanço por ano. Em 1996 foram 2, em 1997 foram 3 ou 4 e em 1998 acredita-se que serão poduzidos um total de 8 novas descobertas.

 


Novo procedimento aumenta as esperanças dos portadores de lesão medular.

By JUDY SIEGEL

REHOVOT (01/Julho) - Cientistas do Instituto Weizmann de Israel conseguiram restaurar parcialmente o movimento das patas traseiras de ratos cujas medulas haviam sido seccionadas.

Os resultados desse experimentos, considerados promissores pelos cientistas, foram publicados na edição de julho do respeitado jornal Nature Medicine.

Esses resultados, obtidos somentente em ratos, requerem pesquisas adicionais para que o novo tratamento esteja disponível para humanos.

Estas descobertas aumentam as esperanças dos para e tetraplégicos quanto ao desenvolvimento de terapias que lhes ofereçam melhoras em sua funções neurológicas.

Os cientistas afirmam que planejam realizar experimentos clínicos em seres humanos após terem conduzido experimentos em animais cujas medulas tenham sido lesionadas parcialmente, como ocorre na maioria dos casos em humanos.

Certas espécies animais como alguns peixes, são capazes de reparar tanto a medula quanto o cérebro após uma lesão, restaurando as funçoes perdidas. Nos mamíferos porém, inclusive os humanos, isso não ocorre, apenas seus nervos periféricos são capazes de se regenerar. Com isso, as vítimas de lesão tanto na medula quanto no cérebro têm sequelas permanentes.

Segundo a Dra. Schwartz, que trabalha há 15 anos no campo da regeneração nervosa, essa incapacidade dos mamíferos em restaurar naturalmente o seu sistema nervoso central pode ter sido a consequência da evolução de mecanismos necessários aos mamíferos para proteger o seu cérebro do seu próprio sistema imune.

Embora as células do sistema imunológico normalmente ajudam a reparar os tecidos danificados, caso chegassem ao cérebro essas células poderiam interromper a dinâmica e complexa rede de neurônios que ali se desevolvem.

Quando os tecidos sofrem lesão, células do sistema imune, chamadas micrófagos, dirigem-se em grande número para o local da lesão e lá removem as células e liberam substâncias químicas para promover a recuperação. Porém, quando o sistema nervoso central dos mamíferos sofre lesão, ele não é auxiliado pelo sistema imunológico.

Schwartz descobriu que isto se deve a um mecanismo nos mamíferos que suprime os micrófagos, que por sua vez alcançam os locais da lesão em menor número e não são ativados quando lá chegam.

Como resultado dessas descobertas, a equipe de cientistas procurou aumentar a pouca habilidade que o sistema nervoso central possui em recrutar e ativar os micrófagos..

Eles isolaram células imunológicas de ratos e as incubaram em tubos que continham nervos periféricos danificados. O macrófagos foram ativados quando receberam os "sinais de socorro" dos nervos.

Os pesquisadores então retornaram os macrófagos ativados para o local lesionado da medula dos ratos; onde as células de defesa criaram um ambiente de crescimento ao redor do tecido lesionado.

Passados dois meses após a lesão medular, 15 dos 22 ratos tratados obtiveram recuperação parcial, com fibras nervosas regeneradas no local da lesão. Os ratos recuperaram parcialmente a atividade motor em suas patas previamente paralisadas. Não apenas puderam mover as patas como muitos foram capazes de colocar seu peso nelas.

Embora uma equipe de pesquisadores na Suécia, por exemplo, tenha restaurado alguma atividade em ratos paralisados através do implante de nervos periféricos nas medulas seccionadas, a técnica do Insituto Weizmann é bastante promissora e inovadora por promover nos animais um mecanismo de auto-reparação e oferecer a opção de usar para tal fim as células do próprio indivíduo.

A divisão de transferência de tecnologia do instituto, Yeda Research and Development Company, solicitou patente para o novo tratamento. Ela também assinou um acordo de licenceamento com a Proneuron Biotechnology Ltd., uma companhia nova no parque industrial Kiryat Weizmann, vizinho ao instituto.

Origem: Journal of the International Medical Society of Paraplegia (March, 1998)