COLUNA PPP
São Paulo, julho de 2003

Queridos amigos

Muito obrigado por terem entrado em contato conosco para maiores informações sobre a pesquisa de célula-tronco.
Foi desenvolvido um protocolo no Hospital das Clínicas, com 30 pacientes com lesão medular que passaram pelo seguinte procedimento:

1. Tomaram um remédio para fazer com que a célula-tronco migrasse da medula óssea para a corrente sanguínea.

2. Foram submetidos a uma coleta dessas células-tronco, agora na corrente sanguínea, por uma máquina tipo hemodiálise.

3. As células-tronco colhidas foram submetidas a um processo de seleção e de congelamento (Criogenia) no Hospital das Clínicas.

4. Após 3 meses elas foram reinfundidas no paciente através da artéria femural irrigando a medula espinhal no local da lesão.

Lembrem-se que esse é um procedimento que jamais foi feito em um ser humano, portanto ainda não sabemos quais resultados esperar. É um estudo experimental feito em 30 pessoas voluntárias, o que é um universo muito pequeno. A única certeza que temos é a de que ratos voltaram a andar.
O que gostaríamos que acontecesse é que as células-tronco reinfundidas se diferenciassem em neurônios (células nervosas) e que conseguissem fazer a conexão entre as partes integras da medula lesada.
Existem custos muito altos para continuar montando novos protocolos. Por exemplo: o remédio citado no item 1, que obriga a célula-tronco a migrar da medula óssea para a corrente sanguínea custa aproximadamente R$ 3000 e os próprios voluntários tiveram que arcar com este custo.
Por isso a PPP está engajada nesta luta. Negociamos junto a um dos laboratórios que fabricam esse remédio para conseguí-lo gratuitamente, possibilitando a abertura de novos protocolos.
Há outros custos no processo, tais como: internação, criogênese, trabalho dos médicos, custos do Hemocentro. Com a aquisição da droga, os custos suplementares supra citados teriam maior facilidade de serem supridos.
Pedimos a colaboração para que vocês nos enviem um e-mail formalizando um pedido ao Laboratório EuroFarma para que doem esse remédio possibilitando a abertura de novos protocolos. Talvez isso possa ajudar em nossas negociações.
Já sabemos que doenças como: lesão medular, esclerose lateral amiotrófica, esclerose múltipla, mal de Alzheimer, mal de Parkinson, derrames e AVC possivelmente poderão ser beneficiadas com este tratamento. Para aqueles que desejam saber sobre outras doenças que possivelmente poderão ser beneficiadas com este tratamento, consultem nosso site que o manteremos informado.

Seja mais um elo dessa corrente de esperança.
Torçam por nós.
Atenciosamente

Mara Gabrilli
Presidente da PPP

Projeto Próximo Passo -

Av. Rebouças, 3.970 - loja 2001 - São Paulo/SP -

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Genética
Segunda, 14 de julho de 2003, 08h44 Células-mãe do cérebro não causam rejeição

As células-mãe do cérebro, quando são transplantadas, não causam reação no sistema imunológico, uma rejeição sempre perigosa nestas operações. De acordo com a última edição da revista Stem Cells, os cientistas da Universidade de Harvard e do Hospital de Crianças, em Orange, na Califórnia, provaram que essas células são "invisíveis" para o sistema imunológico do organismo, uma descoberta que promete benefícios para os pacientes que precisarem de um transplante.

"Estas conclusões são muito interessante", disse Michael Young, principal autor do estudo e cientista do Instituto Schepens de Pesquisa Ocular, o maior instituto mundial de pesquisa dos olhos, e ligado à Faculdade de Medicina de Harvard. "Embora suspeitássemos de que as células-mãe do cérebro pudessem ter esta proteção, esta é a primeira prova documentada", acrescentou Young no trabalho publicado pela Stem Cells.

As células-mãe têm um grande valor para a medicina, porque têm a capacidade de se desenvolver para qualquer tipo de tecido, como os músculos, os ossos, ou em diferentes órgãos. O estudo indicou que o uso de células-mãe do sistema nervoso central em transplantes para doenças do olho, cérebro e medula espinhal pode eliminar a necessidade de uma seleção do tecido com as células mais adequadas antes da operação e do uso de remédios para evitar a rejeição do sistema imunológico depois do transplante.

O artigo na Stem Cells ressaltou que há lugares no corpo que não atacam os tecidos estranhos, porque fazê-lo seria uma autodestruição em grau maior. No olho, por exemplo, um ataque total do sistema imunológico causaria uma inflamação que destruiria tecidos delicados e, com isso, a visão. Estas partes do corpo, que os cientistas chamam "privilegiados de imunidade", incluem o olho, cérebro, sistema digestivo e sistema de reprodução.