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O
PROTOCOLO DAS CÉLULAS TRONCOS |
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PROF.
DR. TARCÍSIO ELOY PESSOA DE BARROS FILHO DRA
ERIKA MEIRELLES KALIL PESSOA DE BARROS PROF. DR. DALTON FISCHER CHAMONE DR. ALFREDO MENDRONE DR
REGINALDO PERILO DE OLIVEIRA DR. ALEXANDRE FOGAÇA CRISTANTE DR. RAPHAEL MARTUS MARCON
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DA
LESÃO MEDULAR EM HUMANOS
SÃO
PAULO
2002
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EMPREGO
DE CÉLULAS PROGENITORAS NO TRATAMENTO AGUDO DA LESÃO MEDULAR EM HUMANOS RESUMO: A lesão traumática da medula espinal consiste numa das mais
incapacitantes lesões que o ser humano pode sofrer e tem despertado grande
interesse no conhecimento das alterações histopatológicas, bioquímicas,
funcionais e principalmente na busca de métodos de
prevenção e tratamento. O presente estudo tem por objetivo analisar
prospectivamente o efeito de células progenitoras indiferenciadas da linhagem
hematogênica no tratamento agudo da lesão medular. UNITERMOS:
lesão medular, células indiferenciadas, humanos ABSTRACT:
The spinal cord lesion is one of the most devasting injuries that happens
to men.Nowadays there isn’t any kind of efective treatment for patients with
spinal lesion. The purpose of this study is to avaluate the results of the
infusion of stem cells in patients who suffer a spinal lesion. KEYWORDS: spinal cord injury, stem cellsfetal
cells, men. EMPREGO DE CÉLULAS PROGENITORAS NO TRATAMENTO AGUDO DA LESÃO MEDULAR
EM HUMANOS INTRODUÇÃO O
traumatismo raquimedular era tido com uma doença sem tratamento. Até dez anos
atrás, tudo o que poderia ser feito era estabilizar a coluna, tratar infecções
e espasticidade e prescrever fisioterapia.13,16. Contudo, o desenvolvimento de pesquisas nesta área indica que as lesões
agudas na medula espinal podem ser minimizadas com o uso de drogas, desde que
administradas num curto espaço de tempo após o trauma 11,25,
28, 62, 68.
No início deste século foram realizados os primeiros experimentos
acerca da fisiopatologia da lesão espinal 2,
3.
Contudo, estes trabalhos só foram
retomados na década passada por investigadores que começaram a valorizar as
mudanças tempo dependentes na patologia do trauma raquimedular 4, 7, .
O imenso déficit neurológico decorrente da lesão da medula espinal advém
da somatória de dois eventos distintos: a lesão mecânica inicial e a lesão
endógena secundária conseqüente à primeira 7,
8, 23, 24, 33, 46, 60, 64. A lesão primária é produzida pelo trauma em si, com morte celular e
liberação de eletrólitos, metabólitos e enzimas, sendo, portanto um processo
mecânico que independe de controle celular. A lesão secundária da medula
espinal envolve complexas mudanças bioquímicas, surgindo como cascata de
eventos envolvendo edema, inflamação, isquemia, reperfusão, fatores de
crescimento, metabolismo do cálcio e peroxidase
lipídica
onde os esforços
científicos se concentram para possibilitar seu controle 8,
9, 26, 27, 35, 43, 44, 45, 52, 58, 59, 63, 64. Farmacologicamente, drogas moduladoras das
respostas endógenas à lesão primária estão sendo progressivamente
introduzidas a fim de limitar o dano tecidual e melhorar o potencial de recuperação
funcional destes pacientes. Estas drogas visam interromper os mecanismos
fisiopatológicos de lesão neuronal secundária 29, 30, 49, 67. Avanços
clínicos e científicos indicam que as lesões agudas na medula espinal podem
ser manipuladas por terapêuticas farmacológicas utilizadas num curto espaço
de tempo. A metilprednisolona
administrada
dentro das primeiras 8 horas pós-trauma é o primeiro agente farmacológico a
demonstrar melhora significativa na recuperação do trauma raquimedular em
seres humanos 5,
12, 13, 14,15, 22, 36, 37, 38, 39, 40, 41, 51, 57, . Outras drogas, como tirilizade 6,
40, 42 e
o GM-1 20, 31, 32, 34, 47, 48, 65, 66, ainda sob investigação
clínica, apresentam promissores resultados preliminares. Estes avanços podem
representar grande melhora na qualidade de vida de pacientes com lesão da
medula espinal, desde que sejam adotados pela prática clínica. Após lesões
do sistema nervoso central há um período de déficit seguido de período de
variável recuperação funcional. Tal recuperação se deve principalmente a
alterações nos circuitos não lesados, mas o processo exato de recuperação
ainda não foi completamente esclarecido. O
tratamento ideal para a lesão medular seria aquele que não apenas diminuísse
a lesão, mas que também estimulasse o processo de reparação. Ao contrário
do conceito de dez anos atrás, já esta provado que neurônios fora do sistema
nervoso central, na medula espinal imatura e em meios especiais de cultura podem
regenerar.50 Atualmente
têm sido desenvolvidas linhas de pesquisas para utilização de neurotransmissores,
transplante de células fetais, transplante de células indiferenciadas,
implante de eletrodos, emprego de substâncias promotoras de remielinização;
mas ainda não apresentam resultados definitivos.50 A
utilização de transplante de células indiferenciadas e células precursoras
em estudos para tratamento da lesão medular tem cerca de dez anos. Células indiferenciadas são células multipotentes
que apresentam a capacidade de se proliferar e originar células de qualquer
linhagem e de qualquer tecido. Em animais foi provado que células
indiferenciadas transplantadas na medula normal ou lesada pode se diferenciar em
neurônios ou em glia.50 Células precursoras de neurônios podem ser
isoladas e expandidas em culturas na presença de mitógenos,
e quando transplantadas podem originar neurônios e oligodendrócitos.
Podem ainda se diferenciar em astrócitos,
evidenciando que sinais do ambiente são determinantes na especificação da linhagem.1,18
Outro conceito foi recentemente alterado quando se provou que células
adultas podem ser reprogramadas a expressar genes típicos de células
diferenciadas de qualquer uma das três linhagens: mesoderma, ectoderma e
endoderma. Este fato possibilitou a constatação de que o estado diferenciado
das células é reversível e que requer regulação contínua do meio,
possibilitando estudos como o que provou que após irradiação letal, células
derivadas da medula óssea administradas endovenosamente originaram células que
expressavam genes específicos de neurônios.16 Pelo
menos duas populações de células progenitoras têm sido identificadas na
medula óssea: as células progenitoras hematopoéticas
(CPH) e as células progenitoras mesenquimais
(CPM). A
CPH é facilmente identificada através da expressão do antígeno CD 34. O antígeno
CD 34 é uma glicoproteina transmembrana
que está expresso em todas as CPH assim como na célula endotelial, no
fibroblasto embriônico
e em algumas células do tecido nervoso fetal e adulto. As células que
expressam o antígeno CD34 são denominadas CD 34 positivas (CD34+) e são
identificadas
por citometria
de fluxo, utilizando-se o anticorpo monoclonal - anti CD 34. As CPH têm alta expressão do antígeno
CD 34 na sua superfície celular. Por
outro lado, ainda não conhecemos nenhum marcador de superfície celular que
possa caracterizar as CPM. Até o presente momento, esta células são
identificadas apenas através de cultura celular. Algumas
evidencias
atuais sugerem que as CPM
apresentam baixa expressão de CD 34. Estas
duas populações celulares – as CPH e as COM - estão presentes na medula óssea
e, e em condições normais, apenas 0,1% delas circulam no sangue periférico. Este número pode ser
aumentado em aproximadamente 30-50 vezes após a administração de fatores
estimuladores de colônias hematopoéticas, especialmente o G-CSF (Granulocyte
– Colony
Stimulating
Factor).
Por esta razão o G-CSF tem sido considerado como um fator mobilizador da
células progenitoras
da medula óssea para o sangue periférico. OBJETIVO
O
objetivo do presente trabalho é avaliar o efeito da infusão de células
progenitoras indiferenciadas autógenas no tratamento agudo de pacientes com lesão
medular. MATERIAL E MÉTODOS
Serão
selecionados 30 paciente dentre os pacientes
com diagnóstico de trauma raquimedular agudo que são rotineiramente
acompanhados no Grupo de Coluna Cervical e Trauma Raquimedular do Instituto de
Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo. Estes
pacientes serão protocolados e submetidos a exame inicial de acordo com a
tabela da
ASIA e serão tratados de acordo com os protocolos aceitos internacionalmente.
Os procedimentos cirúrgicos, quando pertinentes, serão realizados no período
máximo de 48 horas após o trauma raquimedular.
No segundo dia do período pós-operatório, estes pacientes serão submetidos a
exame de sangue para avaliação hematológica e de distúrbios de coagulação. Os
pacientes que não apresentarem distúrbios de coagulograma e hemograma, serão encaminhados ao Hemocentro do Hospital Das Clínicas
da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo onde será realizadaa
mobilização e coleta das células progenitoras em sangue periférico. Estas
amostras serão analisadas e criopreservadas. Ainda durante a fase
aguda do processo ( até 15 dias após o trauma raquimedular)
o concentrado de células progenitoras será reinfundido através de acesso venoso periférico no paciente doador
caracterizando o momento zero do experimento. Este
paciente será então avaliado quinzenalmente nos primeiros três meses,
mensalmente até o término do primeiro ano e trimestralmente até o término do
quinto ano de experimento no ambulatório de Coluna Cervical e Traumatismo
Raquimedular, onde será submetido a exame clínico de acordo com a padronização
preconizada pela ASIA para avaliar-se a recuperação neurológica após a infusão
de células indiferenciadas. Seleção
de Pacientes: Serão
incluídos no estudo pacientes acompanhados no Grupo de Coluna Cervical e Trauma
Raquimedular, maiores de 18 anos, em fase aguda de trauma raquimedular,
com exames laboratoriais de hemograma e coagulograma dentre dos valores
considerados normais após o tratamento inicial preconizado a seus casos e que
voluntariamente aceitarem participar do experimento. Mobilização
das células progenitoras: A mobilização das células progenitoras da medula
óssea para o sangue periférico será feita através da administração sub-cutânea de G-CSF na dose de 10 mg/kg/dia,
por 05 dias consecutivos. Coleta das células
células
progenitoras: Uma vez mobilizada, as células progenitoras presentes no sangue periférico serão coletadas por aférese. A coleta será realizada utilizando-se separador celular de fluxo contínuo. Em cada coleta será processado um volume sanguíneo equivalente a 02 volemias do paciente. Será realizada uma coleta por dia, em dias consecutivos. Realizaremos o número de coletas necessário para a obtenção de no mínimo 2,5 x 106 células CD 34+/ kg de peso do paciente. A análise das células CD 34 positivas será realizada por citometria de fluxo. O número mínimo de células CD34+ necessários para o tratamento da lesão medular crônica não está definido na literatura atual. Estabelecemos o número mínimo de 2,5 x 106 células CD 34+/ kg de peso/paciente, número suficiente para reconstituição hematopoética a curto e a longo prazo em pacientes que receberam terapia mieloablativa para o transplante de medula óssea. Entendemos que se este número é suficiente para reconstituição de toda hematopoese também deve ser suficiente para reconstituição do tecido nervoso lesado. Criopreservação
celular Após a coleta, as células progenitoras serão criopreservadas utilizando Dimetil Sulfóxido como agente crioprotetor, a uma concentração final de 10%. O congelamento será programado de forma a produzir redução da temperatura das células em 1ºC/ min até 40º C negativos, e a partir de então, a redução de 10º C/min até 80º C negativos. Neste momento as células serão transferidas para um freezer mecânico de temperatura igual ou inferior a 120º C negativos. Expansão celular
Este concentrado de células indiferenciadas serão
expandidos em meio de cultura propício ao desenvolvimento de células de linhadem
neuronal
e será reinfundido no paciente doador. Infusão das células Imediatamente antes da infusão, as células serão descongeladas em banho-maria a 37º C. Quando estiverem totalmente descongeladas serão infundidas na circulação periférica do paciente, a uma velocidade de 10 ml/min, utilizando-se equipo comum de transfusão (170m). Seguimento Clínico. O paciente será então seguido no ambulatório de Coluna Cervical e Trauma Raquimedular do IOT-HC-FMUSP onde será submetido a exame clínico preconizado pela ASIA.
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