Considerações Gerais sobre a sexualidade do Portador de Lesão Medular
Fonte: http://www.lesaomedular.kit.net/
Falar sobre sexualidade humana, ou seja, sexo propriamente dito sempre foi um tabu na vida do ser humano, aliás tudo o que é desconhecido gera insegurança e medo.
O sexo é inerente ao ser humano e através dele é que se gera uma vida.
Em se tratando da sexualidade de uma pessoa que sofreu um trauma raquimedular (lesão na medula espinhal) é ainda maior o tabu por haver uma certa de dose de desinformação e preconceitos que são gerados por culpa de uma cultura em relação ao sexo.
É sabido que qualquer pessoa que sofreu algum dano na medula, além de comprometimento da sensibilidade, locomoção, funções intestinais e urinárias, independente da região lesionada, também acomete a função sexual.
Como todo indivíduo é único, uma lesão também se caracteriza de forma única e suas alterações, comprometimentos e seqüelas são bastante peculiares fazendo com que cada pessoa reaja de maneira diferente por mais semelhante que seja a lesão.
No caso de homens as seqüelas variam desde ausência total de ereção, ejaculação, sensibilidade ou até uma hipersensibilidade, ejaculação precoce, etc. A capacidade de fertilização natural também fica comprometida devido a uma queda da taxa da produção de espermatozóides. É comum existir ereções involuntárias.
No caso de mulheres pode-se haver ausência de sensibilidade, conseqüentemente a ausência de orgasmo clitoriano ou vaginal, mas a ovulação é preservada e aproximadamente entre 3 e 4 meses ocorre a volta do ciclo menstrual com capacidade de engravidar.
É muito complicado para estar falando devido a particularidade de cada lesão, mas por exemplo um homem pode ter ereção voluntária mas ausência de ejaculação e sensibilidade, um outro pode ter ereção voluntária, sensibilidade pouco alterada e ausência de ejaculação. E assim vai prosseguindo de acordo com cada pessoa, com cada lesão e como são as reações.
O IMPORTANTE é que independente de existir uma lesão ou não, o sexo faz parte da vida do ser humano e o portador de lesão medular pode ter uma vida sexual ativa, prazerosa e satisfatória que se apresenta de modo um pouco diferente de como era anterior à lesão que deve-se fazer algumas adaptações para uma boa vida sexual.
Como não sou médico, isso são apenas noções através da minha experiência como portador de lesão medular, relatos de outras pessoas, algumas coisas lidas e pesquisadas, o correto é procurar um profissional especializado.
Se você é portador de lesão medular busque ajuda procurando um profissional especializado.
Para homens: UROLOGISTA ou ANDROLOGISTA, FISIOTERAPEUTAS, PSICÓLOGOS e PSIQUIATRAS.
Para mulheres: GINECOLOGISTA e OBSTETRA, FISIOTERAPEUTAS, PSICÓLOGOS e PSIQUIATRAS.
Onde buscar ajuda:
Projeto Sexualidade (ProSex): Coordenadora Geral: Prof.ª Dr.ª Carmita Helena Najjar Abdo.
A Prof.ª Carmita Helena Najjar Abdo, Coordenadora do ProSex, é doutora e livre-docente pela FMUSP, Professora Associada do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP e orientadora dos pós-graduandos que desenvolvem projetos no ProSex.
Tel.: 3069 - 6000 (PABX)
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Urologistas:
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Ginecologistas:
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Psicólogas (Equipe Disk-ProSex / Telefone "tira-dúvidas"):
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Secretárias:
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INSTITUTO DE PSIQUIATRIA
AV. DR. OVÍDIO PIRES DE CAMPOS, S/N CEP:05403-010 - SÃO PAULO
TEL(S):3069 - 6000(PBX) R. 6269 FAX:3085 - 1576
DR. LUIS CARLOS ARCON
DIRETOR EXECUTIVO
http://www.hcnet.usp.br/ipq/index.htm
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO
Escola Paulista de Medicina
Ministério da Educação
Rua Botucatu, 740 Cep:04023-900 - Tel.: (11) 5576- 4000 /
5576- 4522
Sexualidade Humana - (Pirelli INTERNETional Award 1999)
http://www.epm.br/ - Ir para o link Serviços ao Público, em seguida - Sexualidade Humana.
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RESPOSTAS SEXUAIS em pessoas sem lesão medular:
As respostas fisiológicas de homens e mulheres têm muitos pontos em comum e alguns, que são essenciais, diferentes. Masters e Johnson dividem a resposta sexual humana em quatro estágios sucessivos:
1) Excitação
2) Platô
3) Orgasmo
4) Resolução
EXCITAÇÃO
Desenvolve-se de estímulos psíquicos ou corpóreos. Caracteriza-se pelo ímpeto de sensações eróticas e pela obtenção de ereção no homem e da lubrificação vaginal na mulher.
As manifestações de tensão sexual incluem reação corporal generalizada: congestão vascular, aumento do tônus muscular, respiração ofegante, elevam-se as pulsações e a pressão arterial.
No homem, além da ereção peniana, o escroto dilata-se, os testículos sobem, porque os cordões espermáticos ficam mais curtos.
Na mulher acontece a congestão dos vasos genitais, o rubor na pele, os seios incham, os mamilos ficam eretos. Quanto mais ela se excita, o aumento vascular dos tecidos vaginais dá origem a um líquido que serve de lubrificante vaginal. Há congestão dos vasos do clitóris, que pode tornar-se ereto em algumas mulheres. O útero aumenta de volume e começa a elevar-se. A vagina dilata-se e distende-se, preparando-se para ser penetrada.
A fase de excitação consome boa parte do tempo do ciclo completo da resposta sexual. É importante que este período seja bem trabalhado, pois alguns indivíduos, mais freqüente nas mulheres, demandam mais tempo para completarem esse processo.
A fase de excitação ou desejo sexual é sentir-se atraído pelo sexo oposto, ter fantasias eróticas, percebido como uma tensão interior, acompanhada da necessidade de liberar-se dela. Tal como: a fome, a sede, a vontade, o sonho, é algo que, em determinado momento, se torna imperioso e tem de ser satisfeito.
O desejo sexual humano ativa-se ante estímulos externos concretos ou por fantasias que remetem a situações agradáveis vivenciadas. É o cérebro que recebe esses estímulos e produz reações neuroquímicas, transmitindo comandos para todo o corpo. Se essas reações não ocorrem de maneira eficaz, o desejo sexual está ausente.
Os fatores inibitórios são muitos. Uns conhecidos, outros suspeitos e a maioria deles desconhecidos. Um indivíduo geralmente fica sem apetite sexual devido a uma enfermidade orgânica, ou por um transtorno emocional, como a depressão, a ansiedade, o estresse, o luto, a ira. Também pode ocorrer quando uma pessoa canaliza suas energias, seus pensamentos, com o propósito de realizar algo que julga muito importante para sua vida, como por exemplo: ganhar dinheiro; conquistar poder; fazer mestrado ou doutorado, para defender teses.
O desejo sexual varia de intensidade e de características, conforme a idade e a personalidade de cada um. Em geral os homens são mais sensíveis a estímulos visuais, enquanto os estímulos táteis suaves exercem uma maior influência nas mulheres, embora elas também se estimulam pela visão e audição. O homem é condicionado desde pequeno para apreciar visualmente a mulher. Via de regra, a mulher foi ensinada a não olhar um homem com desejo; mais que isso, treinaram-na a fazer-se ver, a ser admirada.
Atualmente, devido à quebra de certos tabus, da grande exposição de temas sexuais nos meios de comunicação, o desejo sexual feminino, amplia-se, em especial nas mulheres entre 30 e 40 anos, que continuam gostando de serem admiradas, mas também querem apreciar com desejo os homens. Essa é a razão pela qual, cada vez mais, homens se submetem a tratamentos de beleza, inclusive à cirurgia plástica.
Ocorre logo antes do orgasmo, é um estágio mais avançado da excitação, também conhecida como EXCITAÇÃO EM MESETA, pelo tipo de excitação que se mantém estabilizada por algum tempo.
Nesse período ocorrem fenômenos de ordem psicológica e fisiológica, bem determinados, em ambos os sexos.
Homem e mulher estão muito atraídos. Algumas zonas do corpo se encheram de sangue, devido a complexo mecanismo, onde intervêm o sistema nervoso e o sistema hormonal. Os corpos cavernosos se encheram de sangue, e o pênis está completamente ereto. Os nervos penianos estão conectados com centros reflexos do sistema nervoso, e qualquer estímulo tátil promove maior sensibilidade e entrada de sangue.
A mulher apresenta respostas parecidas, mas ela prefere ser estimulada nos genitais um pouco mais tarde. Geralmente, ela começa querendo ser acariciada no rosto, na nuca, pescoço, seios, orelhas, na cintura, nas coxas e outras partes do corpo.
Na mulher, o equivalente à ereção é o umedecimento de seus genitais. A dilatação dos vasos sangüíneos provoca secreção de pequenas glândulas, e isso facilita a penetração. A secreção concentrada na entrada vaginal é o sinal para identificar a intensa excitação da mulher. A quantidade de líquido segregado varia muito e sua abundância indica a boa saúde e o estado de excitação sexual. Com a idade o líquido pode ser mais escasso, nesses casos deve-se lubrificar a vagina com cremes ou óleos.
É o prazer mais intenso das sensações sexuais. Sua produção está condicionada por experiências psicológicas.
No homem os estímulos, cada vez mais enérgico, na glande e na parte anterior do pênis, provocam uma estimulação crescente, que conduzida pelos nervos pelvianos à medula espinhal e aos centros cerebrais, faz com que estes enviem comandos aos músculos pelvianos e aos localizados nas vesículas seminais. Disso decorrem contrações de todos esses músculos, provocando intenso prazer e o pênis ereto jorra o sêmen, em várias ejaculações
Na mulher, o acúmulo de tensão vai-se concentrando cada vez mais ao redor do clitóris e da parte anterior da vagina. O pênis roça essa parte vaginal, intensamente umedecida e fricciona o clitóris. Esses estímulos terminam em contrações semelhantes às do homem, com a diferença de não existir a ejaculação. A sensação de prazer e as contrações musculares são iguais às do homem.
Enquanto o homem costuma ter um só orgasmo, a mulher pode ter mais de um, ou vários, em especial àquelas que se identificam com seus companheiros.
Depois do orgasmo, o homem é refratário à excitação sexual, por um certo período de tempo, que costuma torna-se maior à medida que ele envelhece. A mulher não é fisicamente refratária ao orgasmo; se ela não tiver inibições, em segundos após ter conseguido o orgasmo, pode de novo ser excitada para outro e para outro sucessivamente, até que esteja fisicamente exausta.
RESOLUÇÃO
As respostas fisiológicas especificamente sexuais cessam e todo o organismo volta ao estado normal.
É a fase de relaxamento. Depois do orgasmo, onde ocorreu contrações musculares, movimentos involuntários, emissão de sons, segue-se a volta do organismo à tranqüilidade, acontece a detumescência, ou seja a saída do sangue que inundava os tecidos. Vagina e pênis voltam ao seu tamanho habitual, após um período variável, segundo a pessoa e a idade.
Funcionamento do Sistema Nervoso Durante o Ato Sexual
As
reações fisiológicas, psicológicas e comportamentais que acompanham o ato
sexual são mediadas por um complexo mecanismo envolvendo:
o sistema nervoso somático e autônomo;
o sistema circulatório periférico ao nível da genitália;
a medula espinhal e nervos periféricos do abdômen inferior;
o sistema nervoso central;
o sistema endócrino (hormônios sexuais).
Todos estes sistemas interagem entre eles de uma forma complexa.
O Sistema Nervoso Durante o Ato Sexual
O toque e a estimulação mecânica da genitália externa no homem e na mulher, por meio de pressão, tato e atrito...
...provoca a excitação de vários tipos de receptores sensoriais localizados na pele, mucosa e tecido subcutâneo. Esta excitação viaja através de nervos sensoriais , do abdômen inferior à medula sacral e inicia numerosos reflexos autonômicos (simpáticos e parassimpáticos),os quais controlam o afluxo seletivo de sangue a estas regiões, secreção de glândulas e a contração de músculos lisos nos órgão sexuais.
Estas reações ocorrem independentemente de porções mais altas do sistema nervoso, desde que elas podem ser provocadas, por exemplo, em indivíduos tetraplégicos que tiveram suas medulas seccionadas por acidente em níveis amais altos. De fato, ereção e ejaculação podem ser alcançadas em tais indivíduos, com o resultado de que muitos são capazes de ter filhos após o seu acidente.
O córtex sensorial e o sistema límbico, além de suas funções sinalizadoras, excitam o hipotálamo e outras estruturas que controlam o sistema nervoso autonômico, com o resultado que reflexos da medula espinhal acompanhando o coito se tornem ainda mais estimulados, em um tipo de "looping" auto-sustentado.
O hipotálamo, por sua vez, excita a hipófise, que libera hormônio na corrente sanguínea que está circulando no corpo. Este hormônio é capturado pelos ovários e testículos, os quais são por meio disto estimulados a liberar hormônios gonadais na corrente sanguínea. Os hormônios, tais como a oxitocina, FSH e LH atuarão perifericamente para modular os circuitos locais nos órgão sexuais mais sensíveis ao estímulo nervoso.
Ao mesmo tempo, os impulsos sensoriais saem da genitália, em resposta ao tato e às respostas locais (por exemplo, ereções do pênis, viajam para a medula espinhal até o cérebro, ao córtex sensorial e ao sistema límbico (o cérebro emocional), onde eles eliciam percepção consciente e reações prazerosas (emocionais) prazerosas).
Integração entre Níveis
Ainda que o intercurso entre os níveis locais, espinhal e central sejam essenciais ao desenvolvimento da resposta sexual normal no homem e na mulher, em humanos, os mecanismos cerebrais (central) são mais importantes que em outros animais. Por exemplo, excitação sexual pode ser adquirida em virtude apenas de mecanismos centrais. Ouvir, ver e sentir cheiros, o assim chamado "estímulo erótico", que é a maioria das vezes aprendido e de origem cultural, pode evocar excitação sexual através de sistemas sensoriais, sistema límbico, hipotálamo, e sistema nervoso autônomo.
Este material foi fornecido pelo DR. ODILON NEGRÃO NETO - MÉDICO - UROLOGISTA
Prof. Adjunto de Urologia e Técnica Cirúrgica da Faculdade de Medicina da Universidade de
Mogi das Cruzes